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Preconceito em vender trava criadores e público 60+ é oportunidade, diz Hotmart

A barreira que impede a maioria dos criadores de conteúdo de transformar audiência em receita não é a falta de estratégia ou de ferramentas, mas um obstáculo comportamental: o “preconceito com vender”. O diagnóstico é de Alexandre Abramo, diretor de Desenvolvimento de Mercado da Hotmart, em entrevista exclusiva ao Canaltech durante o Hotmart FIRE 2025.

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Segundo o executivo, a maior parte das dificuldades de monetização nasce de uma trava interna do próprio criador. “Eu vou chutar um número, e isso é sempre horrível de fazer, mas eu chutarei que 80% das pessoas que têm dificuldade de rentabilizar conteúdo é porque tem preconceito com vender”, afirmou Abramo.

Ele detalha que essa barreira se manifesta como vergonha, insegurança ou a dúvida sobre a qualidade do que se oferece. “Enquanto a pessoa não acreditar que o que ela tem serve para ser vendido para alguém, esquece, não tem estratégia que funcione”.


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Para Abramo, a solução passa primeiro por essa mudança de mentalidade. Só então a estratégia se torna eficaz. E a principal delas, segundo ele, é ouvir. “O maior erro desse mercado é você fazer o produto que você acha que é esse o produto que você deve fazer. Quem tem que te contar o produto é a sua audiência. Uma vez que sua audiência te falou o que ela espera de você, aí sim você senta, transforma isso numa coisa estruturada e paga”.

Oportunidade ignorada: o público 60+

Se por um lado o erro é interno, a maior oportunidade de mercado, segundo Abramo, está em um público amplamente ignorado. Não se trata de um nicho temático, mas demográfico.

“Para mim, o lugar onde tem mais oportunidade hoje nesse mercado, o lugar mais deixado de lado e talvez o lugar onde mais tenha dinheiro é no público de 60 mais”, aponta.

Ele contesta a percepção de que essa faixa etária tem baixa afinidade com a tecnologia, usando exemplos pessoais. “Minha mãe tem 73 anos, já consome conteúdo e faz compra online. Daqui a pouco, o pessoal de 60 que chega já é superconectado. É muita gente com capacidade de compra e que hoje é deixada meio de lado”.

A luta pela atenção e a insegurança da IA

O Diretor de Desenvolvimento de Mercado da Hotmart, que fez uma transição de carreira da comunicação em grandes indústrias para o mercado digital, também abordou os desafios macro do setor. O principal deles é a competição pelo foco do consumidor.

“A luta por atenção é o desafio monumental do mercado de criação de conteúdo, porque é muito estímulo”, define Abramo.

Em paralelo, a velocidade das inovações tecnológicas, impulsionada pela inteligência artificial, gera um paradoxo de oportunidade e insegurança. “As pessoas ficam quase perdidas, do tipo ‘como eu uso isso?’. Elas não sabem nem o que têm que estudar, porque não tem ninguém para te falar. É tudo novo”.

Abramo também falou sobre o futuro do jornalismo nesse cenário de transformação digital. Para ele, a profissão vive uma fase ambígua: ao mesmo tempo em que os grandes veículos enfrentam dificuldades, nunca foi tão acessível para jornalistas criarem e distribuírem conteúdo próprio. “Nós estamos no melhor momento da história para ser jornalista, porque nunca foi tão fácil produzir conteúdo por conta própria”, resumiu.

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